FORMAÇÃO EM ECOLOGIA HUMANA

A Ecologia é um discurso universal de maior força mobilizadora do futuro (BOFF)

Nos anos 10, especificamente em 1915, temos o marco referencial dos trabalhos da Escola de Chicago nos EUA, sobretudo, de grandes sociólogos que deram destaque para a ecologia urbana. Pesquisadores como Burgess , Mckenzie e Park desenvolveram importantes trabalhos sobre a dinâmica humana em áreas urbanas. Em 1921, criaram o termo “ecologia humana”, que, segundo Park: “é uma tentativa de aplicar às inter-relações dos seres humanos, um tipo de análise aplicada anteriormente às inter-relações de plantas e animais”.

Esta área do conhecimento humano já está consolidada em diversas partes do Mundo como EUA, Europa, África, Índia e parte da América Latina. No Brasil, apesar da densa produção teórica no campo da Ecologia Humana, não se tem associado estas produções a essa área do conhecimento humano. Por ter criado o primeiro Programa de Mestrado em Ecologia Humana do Brasil, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), tem buscado estabelecer debates objetivando difundir e ampliar o conhecimento desta temática de suma importância para a humanidade na contemporaneidade.

TEXTO ESCRITO POR GERALDO MARQUES¹:

Ecologia Humana trata do estudo científico das interações que os humanos, tanto como espécie biológica quanto como seres sociais, mantêm com o seu meio ambiente. A expressão emergiu pioneiramente a década de 1920 entre sociólogos da Escola de Chicago, inspirados nos conceitos ecológicos da época como o de sucessão ecológica, por eles tornado útil para compreensão espacial das cidades. Posteriormente, a expressão emergiu em outras disciplinas, a exemplo da geografia e da antropologia. Nesta, o conceito de ecossistema proposto por Tansley em 1935 (no âmbito da biologia) foi fundamental para o desenvolvimento da abordagem conhecida como antropologia ecológica.

Atualmente há uma ativa Sociedade de Ecologia Humana com sede nos Estados Unidos e há mais de um periódico de relevo internacional com foco exclusivo, dentre eles Human Ecology, com vários artigos de pesquisadores brasileiros, inclusive nordestinos. A própria Sociedade de Ecologia do Brasil inclui a Ecologia Humana como uma das suas quatro áreas fundamentais. Internacionalmente a área está consolidada, sendo praticada por profissionais de várias formações, pois se trata de um campo multidisciplinar. Vale salientar que, no Brasil, há um predomínio marcante por parte dos biólogos.

Porém, uma das dificuldades em nosso país é a carência de cursos de pós-graduação específicos para dar uma sólida formação continuada aos biólogos que pretendam avançar no campo, uma vez que a nossa formação na graduação não é suficiente. Centros de excelência brasileiros, como a UFSCar e a UNICAMP formam ecólogos humanos em níveis de mestrado e doutorado, porém no âmbito mais amplo dos seus cursos de ecologia geral. A boa notícia é a aprovação recente, pela CAPES, de um curso de mestrado em ecologia humana na UNEB de Paulo Afonso.

Para um biólogo que deseje praticar a ecologia humana dentro da ecologia, o conhecimento de certas áreas como economia ecológica, etnobiologia, biologia da conservação e sistemas socioecológicos são desejáveis. O ecólogo humano pode atuar em vários setores de interesse da ciência e da sociedade. Diversas universidades brasileiras vêm abrindo concurso para professores e pesquisadores específicos da área e tanto órgãos governamentais como ONGs vêm incluindo profissionais com esse perfil, tanto na ampliação dos seus quadros, quanto no âmbito de assessorias e consultorias.

Dentre as áreas de atuação, destacam-se: análise e resolução de conflitos socioambientais, avaliação de impacto ambiental, manejo de recursos, educação ambiental, conservação da biodiversidade, etnoconservação, saúde ambiental, estudos demográficos e epidemiológicos.

¹Texto escrito no Impresso BIONOTÍCIAS (Out/Nov/Dez 2009) Por José Geraldo W. Marques Doutor em ecologia e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana/BA.